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Livros do século XIX, discos autografados e museu de brinquedos: sebo em Jundiaí tem um dos maiores acervos de colecionismo no Brasil

Sebo em Jundiaí tem um dos maiores acervos de colecionismo no Brasil Se somente na leitura de um livro já é possível ter a sensação de estar viajando no t...

Livros do século XIX, discos autografados e museu de brinquedos: sebo em Jundiaí tem um dos maiores acervos de colecionismo no Brasil
Livros do século XIX, discos autografados e museu de brinquedos: sebo em Jundiaí tem um dos maiores acervos de colecionismo no Brasil (Foto: Reprodução)

Sebo em Jundiaí tem um dos maiores acervos de colecionismo no Brasil Se somente na leitura de um livro já é possível ter a sensação de estar viajando no tempo, a entrada em um sebo parece ser um passo ainda mais real para esse intercâmbio de épocas. É por isso que, para trabalhar em um dos maiores sebos do interior do Brasil, é necessário um requisito: amar ler. Foi com essa condição que Maurício Ferreira, professor universitário, selecionou a equipe que administra os mais de 200 mil livros que estão no estoque da loja. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O sebo, que existe há 25 anos na Rua Dr. Torres Neves, 271, no Centro de Jundiaí (SP), possui três andares repletos de diferentes coleções e relíquias. "Eu realizei um sonho de adolescente com o sebo", diz. A história do acervo começou quando, ainda adolescente, o jundiaiense trabalhava como office boy e, nas visitas a São Paulo (SP) para buscar documentos, acabou descobrindo os sebos da capital. Como o garoto já tinha interesse por livros e, desde criança, tinha o costume de colecionar coisas, a descoberta na capital foi transformadora em sua vida. "Eu fiquei maravilhado de ver que um livro no qual eu pagaria R$ 100, no sebo eu pagava R$ 15. Na época, eu não tinha dinheiro, mas, quando entrava, eu me sentia em um museu", relembra Maurício. O encantamento veio junto a uma inquietação por não encontrar um estabelecimento como esse quando voltava para casa na cidade do interior. E foi daí que nasceu o grande sonho de abrir um sebo em Jundiaí, que foi realizado em 2002. Sebo foi aberto em 2002 no Centro de Jundiaí (SP) Maurício Ferreira/Arquivo pessoal Maior sebo do interior do Brasil? Atualmente, Maurício estima que já acumula algo próximo ao número de 1 milhão de itens no total do acervo. Dos produtos catalogados para venda, são 200 mil livros e 100 mil gibis. Das maiores relíquias encontradas no sebo de Jundiaí, os livros de séculos passados se destacam pela preservação. Mas outros objetos também entram nessa lista de raridades. Mais de 300 mil livros estão catalogados em sebo do interior de São Paulo Maurício Ferreira/Arquivo pessoal O objetivo futuro é apresentar também os mais de 3 mil brinquedos em um pavimento que será exclusivo para um museu da infância. Outras coleções estão planejadas para serem expostas na abertura futura de um antiquário. As grandes coleções o fizeram perceber que o colecionismo tem uma importância inestimável para a manutenção e o acesso à cultura, e os sebos são uma prova disso. "Aqui é tudo concentrado em um lugar só. O sebo é isso: é fazer circular essa cultura. O sebo ensina educação financeira para os jovens aprenderem a pechinchar, apresenta os livros, incentiva a curiosidade." O professor universitário também fala sobre a felicidade de participar, mesmo que indiretamente, da formação de novos leitores. Para ele, oferecer a chance de alguém ler um livro é algo de muito valor, mas não necessariamente financeiro. Veja fotos do acervo de sebo em Jundiaí "Eu vibro quando vejo um jovem vindo comprar, eu acho legal que as pessoas venham aqui ler. Às vezes, a pessoa vem aqui todo dia, pega ali um livro, lê um pouquinho cada dia e, quando vê, terminou de ler inteiro. Eu acho engraçado isso", diz Maurício. Certos livros que possuem muita tiragem chegam a ser vendidos por até R$ 1 na vitrine da loja. Convite para entrar Outra história curiosa encontrada dentro deste sebo é a da Neguinha, uma gata que há cinco anos é cuidada pelos funcionários da loja e é apresentada como a "secretária" deles. Gata é mascote do sebo em Jundiaí (SP) Maurício Ferreira/Arquivo pessoal A gata preta tem o costume de ficar na porta do sebo durante o dia e passear pelos telhados da vizinhança à noite. Bem como uma funcionária da casa, ela faz questão de acompanhar o movimento dos clientes que passam pela loja. "Na verdade, foi ela quem adotou o sebo… faz uns cinco anos que ela apareceu por aqui, foi entrando e ficou com a gente. Ela cuida da loja, cada dia gosta de deitar em uma caixa diferente", conta Maurício. Gata é mascote do sebo em Jundiaí (SP) Maurício Ferreira/Arquivo pessoal A presença da Neguinha também é um elemento que nos conta mais uma história curiosa e antiga sobre o mundo. Isso porque Maurício relembra que houve uma época em que, por falta de ferramentas para controle sanitário, antigas bibliotecas tinham o costume de possuir gatos para ajudar no combate a ratos que podiam destruir o material do acervo. E, quando o dono do sebo de Jundiaí percebeu essa relação, ele não teve dúvidas: "Ela tem tudo a ver comigo", afirma. Por todos esses estímulos ao conhecimento é que os sebos são mantidos vivos por aqueles que não deixam de carregar perguntas sobre o mundo, mas buscam sentir e tocar nas páginas e objetos que têm essas respostas. Gata é mascote do sebo em Jundiaí (SP) Maurício Ferreira/Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM