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Mulheres criam rede de acolhimento para vítimas de violência de gênero no Acre

Mulheres organizam encontros para acolher vítimas da violência de gênero Um grupo de mulheres, que se reúnem em um espaço chamado Recanto Amorim, proporcio...

Mulheres criam rede de acolhimento para vítimas de violência de gênero no Acre
Mulheres criam rede de acolhimento para vítimas de violência de gênero no Acre (Foto: Reprodução)

Mulheres organizam encontros para acolher vítimas da violência de gênero Um grupo de mulheres, que se reúnem em um espaço chamado Recanto Amorim, proporcionam encontros em um espaço de acolhimento para vítimas de violência de gênero no Acre. A proposta, que vai além de uma simples conversa, busca oferecer segurança para compartilhar experiências e fortalecer quem já enfrentou diferentes formas de agressões. Segundo a idealizadora do projeto, Belívan Amorim, a iniciativa, que atualmente conta com mais de 30 participantes, nasceu da necessidade de criar uma rede de apoio para estas mulheres. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp De acordo com ela, muitas mulheres ainda enfrentam a violência em silêncio e são vistas apenas como objetos. Além disso, vivem apenas para as obrigações do dia a dia como cuidar da casa, sem possuir tempo para si mesmas. “A mulher tem que ser vista como ser capaz de construir, reconstruir, por mais que, muitas vezes, seja comparada com uma toalha cheia de retalhos, mas também que pode ser uma estampa colorida, renovada e capaz de construir muitas as coisas”, disse. Encontros de grupo de mulheres no AC proporcionam rede de apoio para vítimas de violência de gênero Reprodução LEIA TAMBÉM: Brasil registra recorde de feminicídios em 2025; quatro mulheres são assassinadas por dia Acre tem o ano mais letal desta década para mulheres Acre tem maior taxa de feminicídios do país em 2025 Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2025, o Acre registrou 14 feminicídios, quatro deles na capital Rio Branco. O estado possui a maior taxa proporcional do país. Durante anos, Belívan viveu um relacionamento abusivo. Ela compartilha que o controle e as ameaças eram constantes e que demorou para perceber o que estava vivendo. “Não é apenas ficar trancada, se curvar e achar que não tem os seus direitos e também que não pode vencer, porque aqui estou: uma mulher que sobreviveu das cinzas, porque me encontrei sem comunicação, não podia mais conversar, e também por amor aos meus filhos. Eu encontrei o refúgio nos meus filhos”, compartilhou. Porposta busca oferecer segurança para compartilhar experiências e fortalecer quem já enfrentou diferentes formas de violência de gênero Reprodução O tema da edição do encontro teve como tema os trajes com estampas que contam histórias, cada uma carregando significado. Para algumas, representa recomeços. Para outras, simboliza liberdade. Os encontros buscam proporcionar um espaço onde cada mulher possa simplesmente se sentir mulher. Luci de Almeida, uma das organizadoras, explica que o ambiente só entre mulheres ajuda a criar mais confiança e que estabelece o apoio entre elas, além de ajudar na conscientização sobre agressões que, muitas vezes, passam despercebidas. Atualmente, grupo conta com mais de 30 participantes Reprodução “Nosso grupo está ajudando muitas mulheres a poder se abrir, conversar, se expor, porque tem muitas que sofrem violência calada e o nosso grupo ajuda bastante, pois vamos conversando umas com as outras e é muito bacana, esse encontro está sendo muito bacana para as mulheres”, afirmou. Conforme Belívan, antes do fim de cada encontro, as participantes buscam se informar sobre os próximos. “Antes de terminar o encontro, elas já pedem para que venha o outro. E vejo que se, às vezes, chegam cabisbaixas acabam entrando no embalo da festa e vejo que o semblante muda, tanto no olhar como no seu modo de pensar”, detalhou. Combate ao feminicídio Em meio ao avanço desenfreado dos números, o governo federal sancionou, em outubro de 2024, uma lei que endurece as penas para o crime de feminicídio. A nova legislação elevou a punição para 20 a 40 anos de prisão, ampliando o rigor em casos com agravantes, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou maior de 60, ou quando o crime ocorre na presença de filhos ou pais. Além disso, o texto: torna o feminicídio um crime hediondo; estabelece que o processo judicial deve tramitar com prioridade; define pena de 5 anos em caso de violência doméstica; aumenta a pena em 1/3 se houver descumprimento de medida protetiva. Lula sanciona, sem vetos, lei que aumenta pena pra crime de feminicídio A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher: (68) 99609-3901 (68) 99611-3224 (68) 99610-4372 (68) 99614-2935 Veja outras formas de denunciar: Polícia Militar - 190: quando a mulher está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras). VÍDEOS: g1